Sobre Levinas

por CEBEL/GT Levinas28 de agosto de 2026
Sobre Levinas
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"Levinas merece crédito por ter introduzido a fenomenologia na França. Acima de tudo, ele não desistiria de se afirmar como um fenomenólogo – enquanto isso, no entanto, evocando "a linguagem ética, à qual a fenomenologia recorre a fim de marcar sua própria interrupção". É necessário insistir que Levinas, frequentemente suspeito de desviar-se da descrição fenomenológica em nome de uma construção especulativa do Outro (com "O" maiúsculo) ou de seu louvor, por sua vez, sempre afirmou praticar a descrição fenomenológica – especialmente no início de sua carreira, sem nunca contradizer tal afirmação, mesmo que isso complicasse o significado de seu trabalho. A "descrição", em certo sentido, é verdadeiramente renovada: não é relevante identificar e estabelecer essências, mas, pelo contrário, "desformalizar", render, através do ato de escrever, o fenômeno a uma indeterminação dinâmica dos horizontes de sentido. A questão sempre permanecerá, da mesma forma, de como entender o imperativo fenomenológico como a impossibilidade de separar os "conceitos" dos exemplos empíricos pelos quais eles se solidificam. No entanto, gostaríamos agora de sublinhar outro aspecto da relação que Levinas tem com a fenomenologia. Descrevendo a maneira pela qual o rosto do outro aparece simultaneamente com franqueza e ambiguidade, ele insiste no seguinte: o rosto obscurece todo o poder de constituição; ele rompe qualquer horizonte predeterminado. O rosto do outro está sempre "fora de contexto". Assim, abre-se uma dimensão de significação (na medida em que é puro endereçamento e pura injunção; ele convoca, emite um chamado): cada vez mais claramente ao longo da carreira de Levinas, é essa dimensão ética que viria a dotar a fenomenalidade de significação, com "significância", como ele colocou. Dito isso, a "transcendência ao ponto da ausência" que Levinas nomeia o "Infinito" ou mesmo "Ileidade" (Illéité, ou seja, o "ele" absoluto) aparece, no entanto, em sua própria maneira paradoxal: na – ou como a – própria interrupção da fenomenalidade, como "um traço daquilo que nunca terá estado presente". No entanto, o traço sempre se prende ao horizonte que divide (a Ileidade é, precisamente, oferecida apenas como o rosto), e a interrupção da fenomenologia só é permitida habitar o mesmo horizonte que ela interrompe e abre para a significação: uma interrupção radical da fenomenologia que é, no entanto, dada apenas como um traço ou um eco do próprio fio que já está sempre ligado à fenomenologia."

SEBBAH, François-David. French Phenomenology. In: DREYFUS, Hubert L.; WRATHALL, Mark A. (Ed.). A Companion to Phenomenology and Existentialism. Malden: Blackwell Publishing, 2006. p. 49.